homeopatia para crianças

A homeopatia demonstra-se muito eficaz em controlar muitos dos principais problemas de saúde que surgem nas crianças durante as várias fases de crescimento. É utilizada com sucesso em: cólicas, diarreias, dentição difícil, tosse, bronquiolites, bronquites, asma, alergias, dermatite atópica, eczemas, ataques de pânico ou terrores noturnos, amigdalites, otites, entre outras doenças infantis. A Homeopatia é o tipo de medicina complementar mais procurado em toda a Europa e no Brasil.

Mais do que controlar os sintomas, o pediatra homeopata trata os desequilíbrios orgânicos, emocionais e psíquicos que causam as doenças.

“A homeopatia é um meio suave para o restabelecimento da saúde, que utiliza a capacidade de reorganização do nosso organismo ao estimular a sua energia vital, responsável pela vida e pelo equilíbrio orgânico,” afirma a pediatra Rosana Mara Ceribelli Nechar, vice-presidente da regional sul da Associação Médica Homeopática Brasileira, no Paraná. “A pediatria homeopática proporciona à criança menor suscetibilidade a doenças comuns, como gripes, otites, faringites, sinusites, amigdalites, laringites, bronquites e outras ´ites´ que, quando surgem repetidamente, sinalizam o enfraquecimento da energia vital. Como é um ser em desenvolvimento, a criança pode ter todas as suas potencialidades estimuladas e crescer de forma saudável e menos suscetível a doenças”.

Como é a consulta?
Os homeopatas utilizam remédios obtidos geralmente a partir de vegetais, minerais e animais. Como na farmacologia alopática, na homeopática são analisadas as reações em um grande grupo de indivíduos saudáveis à substância testada. Depois de observados, os sintomas físicos, orgânicos, psíquicos e emocionais são catalogados. Atualmente existem 3 mil medicamentos homeopáticos que esses especialistas podem prescrever para pacientes de todas as idades. No entanto, saber exatamente quais são os mais indicados em determinados casos depende da profundidade do conhecimento das características de seu paciente.

Os especialistas afirmam que a manifestação clínica de toda doença tem que ser abordada também do ponto de vista emocional e psíquico. E lembram, para validar suas convicções, que a gripe, cujo vírus já pode até estar alojado na garganta, se manifesta sempre numa situação de estresse. É por isso que o tempo de uma consulta é de uma hora, momento em que o médico estuda a maneira de ser, de sofrer e de adoecer de seu paciente, tenha ele a idade que tiver. E se o paciente tiver poucos dias, poucas semanas de vida, os relatos precisos e detalhados da mãe são fundamentais. Consultas de retorno também podem levar o mesmo tempo nos casos em que a resposta ao tratamento não é a esperada. “O homeopata tem que reformular suas hipóteses, ajustar o remédio. Às vezes tem que perguntar tudo novamente”, aponta Marcus Zulian Teixeira. Como os alopatas, os homeopatas também solicitam exames laboratoriais e de imagem sempre que necessário para diagnosticar alguma doença.

 

Medicamentos individualizados

Tão fundamental quanto o princípio da semelhança é a individualização do remédio homeopático. Nessa perspectiva, entre as centenas de medicamentos para tratar uma rinite alérgica, por exemplo, deverá ser escolhido aquele que combine o perfil orgânico, emocional e psíquico do paciente e as características de sua rinite – maior ou menor congestão nasal, mais ou menos espirros, coceiras intensas ou não. Afinal, não é a doença que é tratada e sim o indivíduo como um todo. É por isso, aliás, que remédios tidos como homeopáticos, vendidos prontos em algumas farmácias, não têm a mesma eficácia. Sua qualidade depende de muitos fatores, como o laboratório fabricante, a composição e, principalmente, a indicação adequada.

Não existe versão ‘pediátrica’ entre os homeopáticos. São prescritos para as crianças os mesmos receitados para os adultos, em forma de gotas ou glóbulos feitos com lactose. Cerca de 70% dos medicamentos são de origem vegetal e os outros 30% de origem mineral ou animal. Na farmácia, plantas, pedras e fragmentos animais são triturados, macerados e diluídos em 99 partes de uma solução alcoólica que é agitada cem vezes. Em seguida, essa substância é novamente diluída em outras 99 partes de água e álcool e agitada. As diluições vão se repetindo conforme a potência desejada para o remédio. Quanto mais diluída, é considerada mais potente. “Alguns remédios são preparados a partir de plantas venenosas ou de metais tóxicos, como o mercúrio, que graças à ultradiluição perdem a característica nociva”, garante Teixeira. A partir da décima segunda diluição já não há mais a presença de resíduos da substância ativa, o que respalda os críticos da homeopatia. Segundo muitos, o remédio não passa de água pura. No entanto, segundo os homeopatas, é a física, e não a química, que explica o efeito do remédio. Os movimentos da dinamização, que podem passar de 1 000 em algumas formulações, alteram as moléculas da água que passam a preservar apenas a ‘informação’ do princípio ativo que vai reorganizar o organismo.

Ainda não se pode dizer que esse mecanismo tenha sido confirmado cientificamente, mas, diga-se de passagem, a alteração molecular da água foi confirmada nos Estados Unidos em 1998. Ao pesquisar o comportamento das moléculas da água, um cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Shui Yin Lo, constatou que tais moléculas, normalmente espalhadas desordenadamente,  adquiriram a forma de ‘cachos’, com campo elétrico singular, adesão firme a superfícies e que se replicavam a cada nova diluição mesmo quando já não havia mais sinais da substância adicionada no começo do experimento. Há 10 anos, outro estudo, na Universidade da Califórnia, constatou que a tal água com cachos moleculares seria mesmo capaz de estimular células do sistema imunológico, em tubos de ensaio, até 100 vezes mais do que água pura.

 

Acompanhamento

A primeira visita ao pediatra pode ocorrer logo nos primeiros dias após o nascimento, quando a mãe já começa a notar como o bebê se manifesta na hora da fome, do choro, ao reagir a estímulos sonoros e também a sua sensibilidade térmica – se é friorento ou calorento, entre outras características de interesse para o tratamento homeopático. “Nas primeiras semanas de vida o bebê frequentemente tem as chamadas cólicas do primeiro trimestre, que podem ser aliviadas com remédios homeopáticos”, afirma Furuta. Infelizmente, segundo o especialista da Unifesp, a ampla maioria das crianças só é levada a um homeopata quando o tratamento convencional fracassou, a criança está tomando muito antibiótico ou medicamentos contra inflamações, alergias, asma, problemas de pele.

Assim como na pediatria convencional, o acompanhamento homeopático acontece mensalmente no primeiro ano de vida, quando o especialista acompanha também o desenvolvimento do peso e da estatura da criança e orienta a mãe sobre as mudanças que vão sendo introduzidas na dieta do bebê.  Essas consultas acontecem também conforme a criança apresenta as características, que nem sempre sinalizam doenças. Há casos de distúrbios do sono, irritação ou medo do escuro. “Tem bebê que acorda quando se apaga a luz. O escuro o incomoda, traz alguma ansiedade, medo. E isso tudo tem que ser levado em conta”, lembra Marcus Zulian Teixeira.

 

Limitações


No tratamento de quadros crônicos, como rinite, alergias e distúrbio de sono, por exemplo, os bons resultados podem surgir em semanas. Mas as avaliações periódicas, fundamentais para ajustes até o remédio correto, podem levar algum tempo. “Essa é uma das limitações da homeopatia. A maioria das pessoas não tem paciência para esperar esse tempo. É imediatista”, aponta Teixeira, que estima que 70% de seus pacientes não prossegue o tratamento por impaciência, retornando aos alopáticos, apesar de todas as reações adversas.

“É como diz o provérbio: homeopatia é para quem pode, não para quem quer. Isso, é claro, no sentido de paciência, de querer ser tratado como um todo, sem efeitos colaterais”.

E embora a prática mostre que a homeopática reduz a necessidade de recorrer sempre aos medicamentos alopáticos, inclusive antibióticos, anti-inflamatórios e anti-histamínicos devido à reorganização de todo o sistema orgânico, há limitações. Uma meningite bacteriana, por exemplo, exige diagnóstico rápido e tratamento adequado. “Nos casos de infecção, é importantíssimo o homeopata entrar com a terapia à base de antibiótico assim que necessário”, diz Furuta. “O homeopata deve conhecer a antibioticoterapia tanto quanto um médico alopata, para não colocar em risco a vida do paciente.”

Apesar das polêmicas, os especialistas são unânimes em relação aos benefícios do tratamento individualizado que equilibra a saúde orgânica e emocional da criança, que tem tudo para torná-la menos suscetível a infecções. “Uma criança tratada desde pequena pela homeopatia adoece menos do ponto de vista orgânico, necessitando pouco dos remédios tradicionais. Também são beneficiadas do ponto de vista emocional. São mais tranquilas, alegres, se socializam com mais facilidade e o desempenho escolar é melhor”, afirma Sergio Eiji Furuta. Sem dúvida, tudo o que os pais buscam para os seus filhos.

fonte: abril.bebe

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